Apego-me não nego,desapego quando puder

Apego-me não nego,desapego quando puder

Tô cansada de ouvir por aí a tão repetida frase “ pego mas não me apego” ,até então eu nunca tinha parado pra pensar na mentira deslavada que tais palavras juntas formam.É claro que, sempre temos exceções,mas vamos lá falar do que de fato acontece.Se você fica com alguém é porque de alguma maneira aquela pessoa se mostrou interessante,sendo assim,a não ser que seja uma ficada de apenas uma noite e  você não faça a mínima ideia de onde poderá ver a pessoa ou quando pois não trocaram nem whats – o que é raro hoje em dia- você irá de certa forma se apegar a ideia de que o que rolou aconteça de novo.É ou não é? Então,depois da primeira vem a segunda,a terceira,vocês conversam por whats ,se falam pela manhã e antes de dormirem,e por aí vai…

Agora me diz ? Onde está o botão daquelas que dizem  não se apegar, onde será que elas apertam para não nutrir qualquer sentimento ou esperança de virar algo a mais? A menos que elas  sejam mutantes ou nascidas com alguma capacidade do cérebro mais desenvolvidas,esse tão clique não existe !!! O que existe é a enorme habilidade de esconder o que se sente,de camuflar,de fingir estar sempre tudo bem.

Eu me apego sim! (Me) apego e não nego,desapego quando quiser- ou puder.Desapego quando não estiver bom,não estiver fazendo bem.Isso sim é uma habilidade preciosa para nós: a de partir quando as coisas já não estão dando certo ,quando o que era bonito fica a cada dia mais feio e te contamina.De não esperar estar no chão para dar a volta por cima.Eu não saio por aí levantando a bandeira de durona.Não sou feita de pedra,sou feita de carne,osso,e coração.Não conterei as batidas cardíacas só para dizer o quanto sou poderosa ou coisas do gênero,tampouco direi tanto faz ao amor que deixei para trás .

Sobre amor e esportes radicais

Disseram-me pra ir devagar.Ir pela beirada,molhar só os pés;só admirar .Os intensos sabem que isso não é possível,como ver o mar à frente com toda a sua grandeza e não se jogar? A gente precisa ir até o fundo,sentir as ondas baterem e se deixar molhar pela água gelada.

Assim como quando chove,sabe?! Os pingos finos vêm molhando e quem disse que eu abro o  guarda chuva ? e pra que? Deixo-me molhar. A gente corre o risco de se resfriar, mas a gente corre o risco de ser feliz também, e pra ser feliz vale assumir os riscos.O de se decepcionar,o de se resfriar,o de voltar pra casa arrependida,o de não nos entenderem,os tantos riscos que nos levam ao lugar mais do que desejado:ao lugar ao qual nem saberíamos se não tivéssemos pulado do penhasco sem medo de não nos segurarem.E,é tão bom quando a sensação de medo vai embora porque alguém abre os braços e te segura.

Sinto-me em queda livre, toda vez que dou um passo a mais nessa estrada de mão nem sempre dupla, chamada amor.É como pular de um avião sem saber se o paraquedas vai abrir,ou como praticar slackline em um lugar alto e perigoso e mesmo assim não se importar ,pois a adrenalina e a paz –paradoxal – fazem cada minuto insano valer a pena.

E por amor a gente faz rafting,rapel,parkour.Se equilibra entre o medo,a loucura,e a vontade de estar perto.Faz manobras radicias,inventa,se desdobra .E que me desculpem os esportistas radicalíssimos,mas nada mais radical do que se jogar sem proteção alguma nos abismos do amor.