Deixa chover…

tênis Quando algo morre em você e junto com a sensação de nada vem a melancolia é porque já já chega a hora de renascer.Acontece com todo mundo.Aquele gosto de saudade amanhecida junto com a apatia da certeza do que um dia foi e não será mais.”Chegou o fim, meu bem.Meu fim? Não, não o seu, o nosso.”E aí a gente se sente como quem partiu ou morreu, sem prumo, sem rumo, sem roupa nem moradia.

O céu desaba sobre nossa cabeça. Todo o corpo parece chorar a mesma dor e a chuva começa por dentro e transborda pelos olhos e nariz.”O fim chegou , meu bem.Não tem mais jeito”.Os dias que se seguem são como morte em vida.The walking Dead.

O corpo pesa , a fala engasga , o peito sufoca e a cabeça gira.Deixar ir é como sentir uma parte sua  se desmembrando.Uma parte bem grudada e difícil de se desencaixar.Mas vai.A parte tem vida própria e vai quando quer.A gente precisa deixar ir pra não morrer, pra não sufocar.

O clichê de que depois de toda tempestade vem o dia ensolarado nunca fez mais sentido do que quando deixamos aquele sentimento se transformar. A chuva que havia dentro da gente escapa pois ela é dona de si  e então chega a hora em que nosso corpo rejeita os sentidos.A apatia chega e toma conta  …Fase limbo.

O vazio dá lugar ao novo.A gente se esvazia para encher e transbordar de novo.Transbordar sorrisos ou até lágrimas.Um novo ciclo recomeça , mas para isso é preciso deixar chover.

O amor, o fim e a grande lição.

Quando ele decidiu que não dava mais pra continuar

Que tudo o que era bom havia se tornado pequeno, o ruim reverberava a todo instante levando pra longe o amor.Trazendo pra perto a agonia do adeus.

Então ele , com aparência cansada , quase sem olhar nos meus olhos soltou minhas mãos, desgarrou-se do sonho e foi embora com o vento.

O dia estava nublado, mas a chuva era dentro de mim.Algo se quebrou.O instante congelou. Tudo se petrificou.

Na minha mente passava um filme:Do primeiro dia ao término.Lembrei da sua boca quente encostando na minha no nosso primeiro beijo.Lembrei do quanto eu esperei pela aquela calma na alma.E do quanto eu estava feliz.Estávamos.

Era tudo novo.Não conhecíamos os defeitos um do outro, era fácil, encantava.O tempo foi deixando para trás o desconhecido colocando no lugar as manias, os defeitos, os vícios, e as brigas.Junto com tudo o que estava por trás do nosso sorriso havia o medo, o passado e  poucos segredos.

Como eu queria não terminar essa breve história falando do fim.Mas foi inevitável.O amor que eu sinto continua em mim e a dor da perda me acompanhará por um tempo.

Meu amor foi-se com o vento.

O triste é saber que ele partiu  cheio de peso e cabisbaixo, ferido por palavras e desconfiança.Como queria pedir ao vento que conversasse com o tempo e me concedesse voltar ao instante em que o conheci.Para quem sabe assim, ter visto desde o primeiro instante que ele não seria só mais um.Que aquele homem não viera para me magoar como os outros.Ele viera para ensinar e ensinou.Ensinou estando ao meu lado.Mas, foi ao partir que aprendi a maior lição de todas: O amor não é imune às cobranças, às desconfianças.E acima de tudo , o amor é livre.